terça-feira, 16 de julho de 2013

Divaldo conclama: despertemos!


Divaldo conclama:  Despertemos!
Julio Cesar de Sá Roriz

            Recentemente ocorreram manifestações populares nas ruas das principais capitais do país, em protesto quanto aos atos político-administrativos do Governo, principalmente em função dos excessivos gastos com estádios de futebol, em contraste com a precariedade nos hospitais, escolas e segurança, itens básicos, necessários às vidas de milhões de brasileiros.
Nós, espíritas, apoiamos tais manifestações, ordeiras e pacíficas, e não aceitamos as violências que são realizadas por aproveitadores mesquinhos, verdadeiros vândalos disfarçados de encontristas que intentam depredar o patrimônio público, em repugnante demonstração de estado de selvageria, incompatível com os avanços do século XXI.  
O tema das manifestações públicas é antigo e, ao mesmo tempo, muito atual. Os espíritas Freitas Nobre, Bezerra de Menezes, Deolindo Amorim, entre outros, souberam discutir as questões públicas, seja nos cargos públicos ou na imprensa. Deolindo afirmava: “divergir, sem dissentir!”. Os dois primeiros espíritas foram eleitos pela população e honraram seus mandatos com dignidade. O terceiro, foi homem de imprensa, orador espírita, sempre atuante na articulação de seu lúcido verbo para o povo. Freitas Nobre, marido de Marlene Nobre, muito lutou para erradicação, por exemplo, da fabricação ou importação dos brinquedos de guerra para crianças em todo o território nacional, mas ele não esteve sozinho na Câmara dos Deputados. Apoiado e inspirado pelo Espírito Bezerra de Menezes que, nos momentos mais graves, o orientava sempre através da pena mediúnica de Chico Xavier, principalmente nas situações dramáticas de enfrentamento da ditadura militar, como eficaz líder de oposição do antigo MDB, defendendo o país que atravessava o terrível  período de chumbo da ditadura politico-militar. Freitas, foi o político espírita, trabalhador de Casa Espírita, que soube tomar todos os cuidados para não se deixar envolver com as correntes vigorosíssimas da politicagem de então que podiam tragar políticos bem intencionados à desvios terríveis.
Mais recentemente, Divaldo Franco manifestou-se, como sempre, com sua virilidade inspirada e sua correta posição espírita, sobre assuntos referentes à política, de cujo desenvolvimento coletivo, fez e sempre fará parte da existência e do crescimento dos povos, em todos os tempos.
No dia 27 de junho de 1987, aconteceu um encontro doutrinário com as presenças de Divaldo Franco e José Raul Teixeira, na sede da Federação Espírita do Estado do Rio de Janeiro,em Niterói. Em meio às perguntas de ordem político-sociais vigentes, respondidas por um e pelo outro, notamos a atualidade das respostas de ambos, cujos conteúdos muito nos valem hoje. Tudo o que Divaldo disse naqueles momentos de grandes turbulências políticas, servem hoje, não só para os brasileiros, mas para todos os homens conscientes do planeta. 
As explosões populares que vemos acontecer nas ruas das capitais brasileiras, são produtos da insatisfação geral com os seus representantes políticos. Vendo meu filho de 17 anos, participante de Mocidade Espírita e partindo para a rua em protesto pacífico, deixou-me muito feliz. Lembrei quando Deolindo Amorim me convidou para falar sobre o espiritismo num grande encontro que ocorreu na Quinta da Boa Vista,no período da ditadura militar no Brasil.  Quando os EUA invadiram Trípoli, dando ensejo às especulações de que o Bush-pai estava desejando começar uma nova guerra mundial, os religiosos ligados à ONU promoveram encontros de paz nos continentes. No Rio, eram 4 mil pessoas desejando a paz do mundo. Eu estava lá à convite do meu amigo Deolindo Amorim, falando àquele povo, sobre a ótica positiva e consciente do espiritismo em momentos de crise mundial.
Divaldo afirmou naquela entrevista: “O espírita é um cidadão dinâmico e não um alienado. E, como cidadão, cooperará nas atividades que engrandeçam o mundo. Na política, deve atuar ativamente. É inútil e pernicioso nos queixarmos, se somos omissos”.
Ressaltando um aspecto relevante na conduta do espírita que milite no meio político, adverte: “não devemos, contudo, introduzir a politicagem do mundo na Casa Espírita”.
Assim, o mais corajoso conferencista espírita dos últimos tempos  respondeu, com serenidade, uma série de perguntas inerentes à política, como desde há muito não se via em nosso meio.
Sem descambar para o partidarismo, assim disse  aos espíritas de então: “o espírita deve participar de sindicatos, que (embora) passaram a ter (a) pecha de (alimentar) focos de rebeldia.
Sempre visando o equilíbrio, Divaldo discorreu seu verbo bem influenciado espiritualmente, evocando a lembrança das atuações políticas de Gandhi. “(Ele) dobrou o império britânico e liberou a Índia”. Ressaltou ainda o método pacífico e eficaz da resistência passiva. No fundo, Divaldo questionou, de modo inteligente, o covarde moral que em nada ajuda e ainda reclama de tudo.
Divaldo aconselhou ao espírita participação do movimento sadio, seja estudante, pai de família, industrial, pessoa comum: os que têm responsabilidade social.
“Através dos conhecimentos adquiridos na lida com a Doutrina Espírita – continuou Divaldo – o espírita comandará muito melhor os seus impulsos e saberá dirigir suas forças para bem prosperar na Terra”.
Citando a questão 919 de O Livro dos Espíritos, ele renovou o convite para o fortalecimento do cristianismo redivivo, a necessidade do Reino de Deus estabelecer-se na Terra, sempre no âmbito da paz.
Divaldo falou também em se evitar qualquer dicotomia entre o que se faz no Centro Espírita e na rua. E exemplificou:
No eventual piquete, utilizar-se de resistência passiva.
Se agredido ou mesmo apanhando, não agredir, não bater.
Relembrando os Direito Humanos, ele assinala a necessidade destes serem respeitados e consolidados.E, foi assim que, convicto, o tribuno baiano  expressou-se convidando-nos à ação somente através da não-violência, como verdadeiro primado da paz na Terra.
Ainda em resposta às perguntas, Divaldo estabeleceu uma análise crítica sobre o Brasil-Político daquela época difícil, em que estávamos todos envolvidos por insatisfações amordaçadas.
Como já disse, o que torna-se  impressionante na fala do Divaldo é a atualidade de suas informações. Praticamente, ele diz para não nos iludirmos, pois, segundo ele, tudo o que se vê, em termos de situação política, deve-se à nossa inoperância, negligência e omissão, enquanto cidadãos. Ele lembra que, no difícil período de exceção política, havia uma desculpa, pois acontecia uma imposição autoritária. Divaldo assinala que somos nós que elegemos os que estão aí e, por isso, também somos responsáveis. Alienação não resolve! E, neste tom de fala firme, ele nos remeteu o pensamento ao que Kardec assinalou: “não existe o mal... o mal é a ausência do bem” (ver Gênese de Allan kardec, capítulo III).
Vejam só este trecho da resposta de Divaldo: “...assumamos a  (nossa) culpa. Não fiquemos acusando o governo, seja esse ou aquele. Acusemo-nos. Eles não se elegeram por si próprios”.
Foi assim que o corajoso tribuno espírita, com sua sinceridade e virilidade ímpares, disse, claramente, que nós estamos pagando pela leviandade de escolhermos indivíduos para atender aos nossos caprichos e interesses, e não os do País.
Lembrou-nos ainda que os políticos eleitos também erram e que são caprichosos, mas, nem por isso, podemos dizer que são maus. Eles lutam por seus interesses e menos pelos interesses de um povo exaurido e cansado como o nosso.
Interessante notar a proximidade das eleições. Ele nos lembra que isso deve  servir de lição para não elegermos demagogos tradicionais, enriquecidos com o suor e o sacrifício do povo. Divaldo solicita diretamente aos espíritas que votem em homens nobres e dignos! Assinale-se, de passagem, que há em sua solicitação um sábio conselho aos que possuem vocação para exercer cargos eletivos: candidatem-se, se assim desejam fazer, mas para a defesa de ideais de dignificação humana!
Assinalando, à época, a grande presença de representantes protestantes na Câmara e no Senado, Divaldo nos perguntou:  se eles lutam contra o aborto, a pena de morte, o excesso de divórcios e defendem seus conceitos à luz da Bíblia... por que não temos uma voz sequer nas altas câmaras para lutar pelos ideais de enobrecimento e amor à vida, contra a pena de morte, o aborto, a eutanásia e tantos valores rebaixados pela “ética” enlouquecida.
Vibrantemente, Divaldo encerra sua longa resposta, conclamando-nos a todos: despertemos!...  "mas, não vamos tornar o espiritismo um partido político... a Casa Espírita em comitê eleitoral”...  "é lícito participar, mas, assumamos, igualmente, na vida pública, a conduta espírita para dignificarmos a política, (ou seja,) a ciência e a arte de bem governar, como dizia Platão”.

Fonte bibliográfica: "Elucidações Espíritas"
Autor: Divaldo Pereira Franco
Editora: SEJA, 2ª Edição, 1993,
Rio de Janeiro, RJ

terça-feira, 25 de junho de 2013

Vandalismo, não!!!

Amigos Tarefeiros do Bem do Espiritismo.

Peço encaminhar ao pensamento  de seus amigos espíritas a reflexão que estamos aqui fazendo, ante os vandalismos que têm ocorrido em meio às manifestações válidas de um povo sofrido que, em todo o Brasil, tem vindo às ruas expressar o seu descontentamento com a política vigente, onde se gasta o dinheiro público em coisas que não são as mais necessárias.
Tendo em vista as notícias que nos dão conta dos atos de vandalismo que estão se infiltrando nas manifestações pacíficas de jovens e homens de bem, solicitamos a todos os amigos espíritas que tenham todo o cuidado com sua movimentação e a de sua família pelas ruas das capitais do Brasil, notadamente no Rio de Janeiro, RJ, nestes dias agitados. 
O jovens manifestantes que estão nas ruas protestando, agem com indignação e todos nós apoiamos a manifestação serena, educada. Eles nada mais desejam do que expressar aos atuais  governantes do Brasil o grau de seu repúdio pelo pouco caso que as políticas públicas vêm dando às dificuldades do povo, do qual nós fazemos parte. Os jovens não se acovardam e, saíram às ruas, atônitos, movimentados pelas redes sociais, pois cansaram de assistir o desperdício de dinheiro dos contribuintes em eventos e obras que absolutamente são necessárias ao nosso país. A democracia pediu intervenção à favor do povo, começando pelo aumento das passagens dos transportes coletivos, pois só assim as pessoas acordaram para reagir ao sono hibernante que envolvia este bravo povo brasileiro.
Atenção! Outra coisa é ir para a rua e promover arruaças e quebra-quebra. Ninguém é ingênuo para imaginar que há algum partido político manipulando esses delitos: eles não são bobos! Os agressores gratuitos são pessoas psicopatológicas que se envolvem em meio ao ensejo social, onde abrem-se campos propício ao roubo e à destruição, e despejam o fel de suas  personalidades doentias no âmbito do espírito coletivo,  dando vazão aos seus desequilíbrios psíquicos em atos de vandalismo injustificável e desproposital. Ainda esta semana, um amigo de 18 anos informou-nos que surgiu na sala de aula da faculdade de direito de uma faculdade do Rio, um  aluno  veterano, marcando reunião de jovens estudantes iniciantes, promovendo em sua fala, claramente, uma postura violenta de pilhagem e quebra-quebra, no esquema nada gratuito da Treva que incendeia tudo com reação igual da polícia. Ele incentivava a todos que tudo fosse quebrado, em nome de uma "revolução" conforme o extinto maxismo leninista como postulava a ultrapassada união soviética de jogar tudo no chão tudo, tudo o que há em pé para reconstruir algo novo, com base no "socialismo". 
Peço aos amigos espíritas que tenham cuidado. Participem de tudo o que for legítimo, Ajudem em tudo o que for de benefício para o povo, mas sempre de maneira sensata e equilibrada, honesta e legal.  
Bala perdida, mortes prematuras, pisoteamentos e massacres de multidões em incêndios de ônibus, lojas e bancos abrem espaços propícios para expiações coletivas de proporções alarmantes.
Muita paz e participação ordeira.
Um abraço.
Julio Cesar de Sá Roriz

domingo, 16 de junho de 2013

Sexta-feira é dia de happyhour


Gente, acabei de atender um jovem de 18 anos, dependente de álcool.
E ele me disse:
-“Qual é?! Sexta feira é dia de happyhour!”

Interessante notar que as pessoas repetem isso como uma verdade absoluta!
Claro! Semana de muito trabalho e como ninguém é de ferro, relaxar não faz mal a ninguém não é mesmo?!
Então, os amigos se encontram para distrair a cabeça e vão tomar aquele chopinho gelado, espantando o calor. Beleza!
Há algum problema nisso?
De modo algum!
A pessoa vai porque quer ir e faz muito bem encontrar-se com os amigos para bater aquele papinho... por que não?!
A questão não está no ato de ir ao happyhour por escolha pessoal. Mas, se não há como deixar de ir... ah, aí tem!!!

Na psicologia clínica, há um capítulo denominado  identificação.
Através do olhar do Existencialismo podemos fazer escolhas.
Nos quadros da identificação (modo restritivo de ser no mundo, onde a pessoa acha que realmente é aquilo que pensa ou dizem que ele é), aparentemente são tolhidas as possibilidades de serem feitas opções (livres): o sim e o não.

Então, vai-se para o happyhour... mas será que é porque pôde ser dito o sim? Pôde dizer o não? Se se está livre para optar, beleza! Cada um responde por sua própria escolhas, por aquilo que faz e pelo que deixa de fazer.
A questão crucial está na certeza de que não há mais a possibilidade de dizer não... ou de dizer sim.

Somos entes  cujo Ser é livre para fazer escolhas, mesmo que demandados pelo meio. Dizemos, equivocadamente: “fomos  arrastados pelo senso-comum!” Na verdade, mesmo com a indução social, não há arrastamento que seja irresistivel. Somos nós que dizemos: “sim! E somos nós que optamos ir ao happyhour!

Se a pessoa considera que “todo mundo bebe sexta-feira de noite” e por isso adere ao modismo, está no modo da restrição. Está no reboque do “ todo mundo”.
Mas, está no reboque de quê? Quem dirige sua vida? Para onde?

Claro que há uma mídia eletrônica, impulsionadora da propaganda e também há os amigos que convidam...
Cá para nós: se eles convidam porque são usuários semanais do happyhour, por que alguém se sentiria obrigado a aceitar ao convite!
As respostas são diversas:
- Ah, porque é gostoso! Não veja nada demais em beber com os amigos!
- É melhor do que ficar deprimido... para quê ficar em casa? Preciso espairecer minha cabeça!
-Todos os meus amigos vão para o happyhour na sexta e nos sábabdos à noite! Não fico de fora de modo algum!

As pessoas repetem jargões, respondem qualquer coisa e parecem não pensar na frequência de ingestão do Etanol: 1 noite por semana ( sexta-feira noite), 1 noite por fim de semana (sábado á noite ou no almoço do domingo): 8 vezes por mes;  96 vezes por ano; 960 vezes em 10 anos.
Isto significa muito Etanol no organismo vivo. Interessante ressaltar a prevalência do ganho do prazer em função daquilo que pode destruir o corpo. Parece encobrir a capacidade do Ser humano para o uso da reflexão: do quanto está agindo segundo os ditames da poderosa mídia promotora da cerveja, da vodka, da caipirinha...

Eu disse acima: acabei de atender clinicamente a um  adolescente de 18 anos. Ele me disse: “-sem álcool na cuca não dá para chegar numa menina!”

Aí, você que me lê poderá dizer: “-Ah, mais todos os jovens fazem isto... isto é comum!!!”

Convido o leitor - que eventualmente pensa assim - a tentar tratar alguém que está no fim da linha do alcoolismo. Pergunte a ele: “-Amigo: como foi que isto começou?”. Ele responderá, entristecido: “-Eu era adolescente...”.

Escutei do meu paciente: 
-Eu vou toda sexta à noite para o happyhours com meus amigos... beber!!! conversar!!!! Etc. Perguntei-lhe:
-Dá para fazer outra coisa? E ele repondeu com um sorriso meio debochado:
-De modo algum... isto é sagrado! Todo mundo bebe...

Amigo que me lê, eu pergunto: você é todo mundo?!
A mídia quer que as pessoas acreditem nisso e os incautos (aqueles que já estão encharcados de etanol) querem se justificar dizendo: -“Isto é normal!” 

Escrevo para vocês informando que há alternativas à bebida alcóolica do happyhours das sextas noite. 
Como já disse, o modo da restrição exclui escolhas outras que estão veladas no horizonte das possibilidades.

Há uma tendência contemporânea de levar os incautos em um arrastão falacioso que cria modo de restrição das escolhas e isto, somado ao distraimento daquilo que é essencial à Vida faz crescer o número (já alarmante) de bebedores compulsivos na face da Terra). Convenhamos: saúde e álcool não combinam...

Biologicamente, o teor alcoólico mensal, dosado em longos e contínuos happyhours semanais constituem, no corpo, uma enganação fatal. Sim, os receptores de endorfina das células são enganados! 
Isto mesmo que você leu! 
Enganamos os nossos receptores de endorfina de nossas próprias células (as células possuem inúmeros receptores, entre eles o mais famoso é o da proteína) do nosso próprio corpo, sempre que ingerimos o etanol, cujo % etílico pode agravar o estado de engano biológico aqui citado. 
O Etanol ingerido é levado pelos neurotransmissores para os lugares dos receptores de endorfina de nossas células. A pessoa fica, momentaneamente, repleta de endorfina, completamente solta na corrente sanguínea, e as portas desses receptores serão vedadas à própria endorfina, uma vez que já estão ocupadas pelo Etanol.
É claro que a pessoa que bebeu o Etanol, com tanta endorfina solta na corrente sanguínea, fica provisoriamente numa euforia característica dos beberrões. 
Mas, e depois? Depois de um tempo, o etanol se esvai (porque ele não é endorfina), os respectivos receptores ficam esvaziados e o excesso de endorfina que permaneceu sem uso, flutuando na corrente sanguínea, acaba sendo eliminado pela bexiga (como o pessoal do chopp faz xixi, não é mesmo!). Mais tarde, o beberrão vai querer ingerir mais Etanol para voltar à euforia perdida e assim por diante... Então, vem aquele "bode", aquela "ressaca" que nada mais é do que ausência de endorfina nos receptores da célula. O coitado do fígado (laboratório vivo de química orgânica) teve que permanecer ocupada em metabolizar o etanol, cuja fórmula química é muito semelhante a do formol. Um dia, por curiosidade, coloquem, bem próximos, os desenhos das fórmulas químicas do formol e do etanol e façam o " jogo dos sete erros". Vocês vão ter dificuldade para encontrar diferenças... 

Então a gente vê nos atendimentos psicológicos o que é o fim da linha: o bebedor compulsivo com cirrose hepática, com hemorragia de estômago, mostrando um baixo ventre dilatado e um córtex cerebral encharcado, no delírius tremens...
É assim que eles chegam, solicitando ajuda. Há também  os que chegam nos Centros Espíritas padecendo obsessões, visões terríveis, terror noturno, pânico etc. Não podemos deixar de acrescentar a isto a questão espiritual (obsessões subjugativas) que se interpõe a este estado de coisas.

É bonita a propaganda da bebida, não?! É muito colorida a visão da Lapa à noite, nas sextas –feiras! Quando a gente passa de carro, no retorno ao lar, depois das reuniões de nossa Instituição Espírita, depois de tratamos pessoas e  abordarmos os Temas Relacionais que Joanna de Angelis oferece em seus livros,  à luz do Espiritismo", e vemos tanta gente falando muito alto, gargalhando à valer, resolvendo os problemas do mundo e se distraindo, comentamos com os amigos que nos acompanham: “- como é diversa a situação espiritual do ambiente da Lapa, no Rio de Janeiro e  como contrasta esta alegria alcóolica com a tristeza dos bebedores contumazes que nos procuram, padecendo como verdadeiros doentes da alma!

Escrevo aqui convidando-os a uma reflexão sobre a continuidade do álcool nas ingestões semanais, nas quais eventualmente vocês estejam incursos. 
Não que estejamos aqui, maniqueisticamente, condenando ou demonizando o choppinho amigo e o bate-papo alegre, descompromissado, de uma sexta feria feliz, na Lapa ou em outro lugar. Longe de nós... 
Queremos que você possa refletir sobre a continuidade do processo de fuga psicológico-espiritual que esteja em jogo nesta experiência semanal, não só em relação a vocês (que lêem este aviso), mas em função daquele jovem amigo que vocês conhecem no qual vocês estão percebendo que há um exagero na ingestão do álcool, um início de dependência disfarçada de "bebedor social". Vocês podem fazer alguma coisa. Já sabem que se trata de fuga psicológica! É a volta do Epicurismo?
Certamente, ninguém vem ao mundo como se fosse uma criança que vai ao jardim de infância para brincar e comer merenda!
Cada Espírito encarnado, na Terra, possui uma missão específica, porque a reencarnação está aí para oferecer uma alternativa positiva de progresso ao Espírito reencarnante. Nas provas reencarnatórias, o uso do livre-arbítrio é inalienável, mas cada um assume as consequências do que faz. Qual a nossa missão (missão do homem inteligente na Terra)? A Vida do Espírito é mais do que a existência terrena.

Centro Espírita Tarefeiros do Bem.
Sexta feira, 19h30min: Temas Relacionais à Luz do Espiritismo: Ciência, filosofia e religião.

Por que você acha que tanta gente vem frequentando as nossas jornadas de reflexões doutrinárias, bem no centro do maior polo gasstronômico do bairro da zona sul  (Botafogo), lugar cercado de mais de 100 bares e restaurantes?
Pense!

Um abraço
Julio Cesar de Sá Roriz
Centro Espírita Tarefeiros do Bem, 
Rua Mena Barreto, 110, Botafogo, Rio de Janeiro, RJ
ou colocar no google o verbete: tarefeiros

Bibliografia recomendada:
Luis Carlos Formiga e Outros
Livro: Alcoolismo e drogas: caminhos de superação
O Livro está “montado em cima de comentários de Joanna de Ângelis - Espírito, na obra psicografada pelo médium baiano, a partir dos quais expositores espíritas e especialistas da área de saúde desenvolveram uma diversidade de abordagens sobre o tema. Encontram-se também depoimentos de drogaditos, que conferem um caráter vivencial ao livro.
A iniciativa se tornou livro, apoiada pelo MAP (Movimento de Amor ao Próximo), que o está relançando no dia 28 de outubro, no G. E. Joana D'Arc, situado à Av. Vicente Carvalho 203 em Vaz Lobo, Rio de Janeiro.
A renda do livro irá para o "Centro de Tratamento de Dependentes de Drogas", Projeto Cristo Consolador, que é uma parceria do MAP com o Centro Espírita Irmão Samaritano.
Ajude a divulgar, adquira o livro, informe-se, participe”.



2- Artigo com estatística sobre o consumo do álcool no Brasil
Alcoolismo - Dados Estatisticos
Há uma grande variedade de bebidas alcoólicas espalhadas pelo mundo, fazendo do álcool a substância psicoativa mais popular do planeta. Obtido por fermentação ou destilação da glicose presente em cereais, raizes e frutas, o etanol (ou álcool etílico) é consumido exclusivamente por via oral. O Brasil detém o primeiro lugar do mundo no consumo de destilados de cachaça e é o quinto maior produtor de cerveja da qual, só a Ambev, produz 35 milhões de garrafas por dia.
O álcool é a droga preferida dos brasileiros (68,7% do total), seguido pelo tabaco, maconha, cola, estimulantes, ansiolíticos, cocaína, xaropes e estimulantes, nesta ordem. No País, 90% das internações em hospitais psiquiátricos por dependência de drogas, acontecem devido ao álcool.
Motoristas alcoolizados são responsáveis por 65% dos acidentes fatais em São Paulo.
O alcoolismo é a terceira doença que mais mata no mundo. Além disso, causa 350 doenças (físicas e psiquiátricas) e torna dependentes da droga um de cada dez usuários de álcool.
O álcool é a droga que mais detona o corpo (tanto quanto a cocaína e o craque); a que mais faz vítimas; e é a mais consumida entre os jovens no Brasil. O índice de câncer entre os bebedores é alarmante, quer por ação tópica do próprio álcool sobre as mucosas, quer por conta dos aditivos químicos de ação cancerígena que entram no processo de fabricação das bebidas.
Síndrome alcoólica fetal (SAF) é o termo utilizado para descrever os efeitos comumente observados nos filhos de mães alcoólatras: tamanho pequeno, face anormal, outras anormalidades físicas e retardo mental. Ocorrência: 1 a 2 casos por mil nascidos vivos.
Consequências Físicas do Uso em Excesso
• acidentes (no lar, no serviço e nas estradas);
• alterações no sangue (hemorragias, hepatite e outras);
• ossos e articulações (ácido úrico elevado, degeneração dos ossos e outros);
• lesão cerebral (síndrome de Wernicke-Korsakoff, degeneração cerebelar, ambliopia);
• câncer (na boca, esôfago, estômago, fígado e outros);
• pulmão (pneumonia, tuberculose e outros problemas);
• epilepsia;
• síndrome fetal (vide parágrafo anterior);
• coração (arritmias, cardiopatia, hipertensão e doença coronariana);
• lipemia;
• hipoglicemia;
• fígado (cirrose hepática e outras doenças);
• miopatia;
• pancreatite;
• neuropatia (ou neurite) periférica);
• sexo (disfunção testicular e impotência); e
• esôfago e estômago (efeitos corrosivos diretos do álcool sobre estes órgãos como: gastrite, úlcera péptica, esofagite e síndrome de Mallory-Weiss). Outros Dados sobre o Álcool
• É preciso saber que o álcool é a porta de entrada das drogas !.
• A idade em que o adolescente começa a tomar álcool está cada vez menor, com a média atual em 13 anos.
• As causas do alto número de pessoas dependentes de bebidas alcoólicas no Brasil deve-se, principalmente, à cultura nacional. A cerveja, p.ex., é aceita como uma bebida tradicional e a cachaça é conhecida como "caninha da roça", "bebida de macho" e outros slogans.Você bebe no frio para esquentar e no calor para esfriar.
• Para acabar com o vício, o usuário de álcool precisa ter consciência do problema que está enfrentando e o desejo de se livrar dele. Isso pode ser feito através da desintoxicação em Clínicas Especializadas e com o indispensável apoio e compreensão da família.
• Em geral, nosso fígado leva uma hora para processar 30 gramas de álcool (aproximadamente uma latinha de cerveja).
• O álcool interfere no processo de concentração no trabalho e os alcoolistas estão justamente na faixa de maior produtividade do indivíduo (entre 25 e 45 anos).
• O álcool é responsável pela maioria dos acidentes de trânsito, porque altera a percepção do espaço, do tempo e a capacidade de enxergar bem.
• O alcoolismo é uma doença crônica, incurável e progressiva, que mina o organismo, atacando todos os seus órgãos.
• Pesquisa realizada em 5 capitais brasileiras revelou que 45% dos jovens entre 13 e 19 anos envolvidos em acidentes haviam ingerido bebida alcoólica.
• O consumo global, expresso em g/kg peso corporal, multiplicado por anos de bebida, fornece um elemento preciso de previsão da incidência de cirrose hepática.
• A lesão hepática é a consequência (a longo prazo) mais séria do consumo excessivo.
Ocorre um aumento do acúmulo de gordura (fígado gorduroso), que progride para uma hepatite (inflamação do fígado) e termina com necrose e fibrose hepáticas irreversíveis.
• Por não apresentar cargas elétricas e por ser altamente solúvel em gorduras, é rapidamente absorvido pelo organismo. Uma quantidade apreciável é absorvida já no estômago. Ingerido com o estômago vazio, produz um efeito muito maior.
• Cerca de 90% do álcool é metabolizado no corpo e 5 a 10% é excretado (sem modificações) no ar expirado e na urina. Essa fração serve de base para a estimativa das concentrações sanguíneas de etanol por dosagens na respiração (bafômetro) ou na urina.
• Admite-se que a proporção entre as concentrações de etanol no sangue e nos pulmões seja de 21%, ou seja, 1 mg de sangue contém uma quantidade de álcool equivalente à que contém 2,1 litros de ar dos pulmões. A concentração na urina é mais variável e fornece uma medida menos precisa das concentrações sanguíneas. • A taxa de eliminação do etanol do organismo praticamente independe de sua concentração no sangue e corresponde, no homem, a cerca de 0,1 g/kg peso.hora ou cerca de 10 ml/h em uma pessoa normal.
• Os alcoólatras são difíceis de se anestesiar com drogas como o Halotano.




quarta-feira, 29 de maio de 2013

Pensamento projeta sentimento



 Imagens e som são constituídos pela mente humana, denunciando à Espiritualidade Maior o estado d'alma daquele que os produz. Cada um tem um halo apropriado por si mesmo, constituindo sua aura, identidade espiritual que "diz" sem palavras do seu estado e estatura espiritual.
É assim que constituímos o ambiente onde preferimos respirar.
Mesmo que você nunca fale do seu sentimento para ninguém, ele será, automaticamente, projetado pelo seu próprio pensamento ao encontro do objeto de sua preocupação maior, alcançando  pessoas e coisas com as quais você faz ressonância mental, seja pelo aspecto do amor ou do ódio; pela ilusão de posse ou de medo; pela ganância ou pelo desprezo.
 Não há segredos, nem falácias, ou mesmo enganações que possam passar desapercebidas aos Espíritos Superiores que investem no progresso espiritual dos trabalhadores voluntários de uma Casa Espírita séria.
O espírita será cuidadoso, neste aspecto, não  porque há Entidades do Bem percebendo, a todo instante, a atmosfera da Casa Espírita Cristã. Espera-se dele, isto sim, uma comunhão de idéias, a colaboração ativa e sincera para o bem de todos, sempre na medida do que é humanamente possível.
Por esta razão, mais do que regras disciplinares externas, precisam  prevalecer na Casa Espírita:  disciplina com menos orgulho e o amor com mais estudo. São modos de ser a serem desenvolvidos naqueles que se dispõem a servir na causa do Cristo, em ambiente Espírita.
Numa Casa Espírita, portanto, ninguém deseja o silêncio imposto pelos Templos; nem expressões de sorriso fácil onde não há do que se alegrar.
Equilíbrio da temperança; firmeza da lealdade, sem conivência com o mal, agindo com natural expressão de continuidade do homem de bem e da mulher de bem que, na existência terrestre, não improvisa tecnicamente o bem-fazer, nem se faz atendente involuntário dos reclamos do próprio ego.
Solicita-se, o esforço do espírita  para realizar a higienização permanente de sua mente, não só no ambiente da Instituição, como também no lar e em todos os lugares por onde  possa estar na existência terrestre.
Nem por isso será necessário orar o tempo todo... nem estar na aparente pureza dos Templos isolados da sociedade. Ceu e Inferno: condições espirituais nutridas desde aqui...
 E não será preciso lembrar estes preceitos ao Espírita genuíno, pois ele sabe de tudo isso muito bem porque se esforça para ser, cada vez mais, uma pessoa melhor na existência corpórea, em todos os momentos.
Julio Cesar de Sá Roriz

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Uma carta a um amigo espírita que sofreu separação: Impermanência e Imortalidade

Rio de Janeiro, 01 de novembro de 2012 Amigo e irmão espírita E.W. Gostei de saber e ver você em seu novo lar. Gostei de vê-lo bem identificado com sua nova existência, cheio de alegria no coração. Por que digo para você, nova existência? Senti que você conseguiu dar um novo sentido à definição de 'sua moradia', antes sob o guante da angústia e do abandono, do desabrigo! Vejo você viajando, transitando feliz do desabrigo à confiança e isto encheu também de alegria o meu coração. Se você prestar bem atenção, depois daquela nossa conversa, processou-se em você uma transfor, paz e perdão.
Por isso, tudo o que sua ex-companheira representou para você,  no pós-crise, reduziu-se a uma  'propriedade' que se esvaneceu como brumas. Ela, por sua vez, também deve estar se sentindo assim: para ela se sentir uma mulher livre, optou ir-se de vez, para bem longe, conforme o uso do seu livre-arbítrio. Para quem fica, isso dói, eu sei! Você disse isto para mim, muito amargurado e triste com as significativas perdas sentida na pós-separação. Lembro que você repetia para mim, emocionado: 'minha esposa, minha casa, meus filhos, meu corpo, meu dinheiro, minha imagem' etc. Hoje parece que a desilusão fê-lo compreender que nada disso era efetivamente seu.
Na arte de reencarnar, estamos todos  em um exercício pessoal e supremo que a nenhum Espírito de nosso nível  é permitido se furtar:  re-viver  provas entre os que, no passado, foram amores mal resolvidos, em experiências malogradas. Imantamo-nos uns aos outros pelas paixões e, sob a lei do magnetismo, atraimo-nos uns para os outros, queiramos ou não. Eis que, na presente encarnação, estamos nós, ainda em torno dos velhos temas do passado tormentoso: necessidade de amor e paz mediante harmonização palatáverl com aqueles com os quais criamos dívidas. A resolução disto é uma obra do Tempo. Tempo para que os personagens do drama evolutivo se aceitem como são e possam limpar do perispírito as mágoas, os ressentimentos, os ódios e as idiossincrasias. Dai em diante, vem a ´possibilidade do viver de modo respeitoso e harmonioso. isto é conquista cuja realização plena ainda estamos  longe de lograr.
Pelo que pude ver, no seu caso, agora parece haver um novo horizonte se desenhando: uma nova companhiam uma nova tonalidade afetiva em seu coração: parabéns!
Você, agora, me diz, enfático: 'Quero viver de novo, sob um novo âmbito, em configurações magnéticas de novos compromissos que se renovam'. E você também me diz que quer estudar mais esses temas palpitantes como desidentificação, impermanência e desapego. À luz desses termas, orientados segundo o enfoque espírita, você compreendeu que pode exercer o seu direito de erguer a cabeça e dar a si mesmo uma oportunidade de olhar o horizonte de sua existência com nova confiança.
O novo olhar para o nosso porvir sempre atualiza o modo como experienciamos o nosso passado. É que, ao olharmos o "espelho retrovisor", vemos o passado de uma outra maneira. É assim mesmo. Mas tome cuidado! Não se consegue dirigir um carro somente olhando o espelho retrovisor.
Os compromissos matrimoniais são, em sua grande maioria, re-apresentações significativas de nossas escolhas anteriores, no âmbito do gênero de provas (adredemente feitas, antes de reencarnarmos). Deu certo? Não deu certo? Dependendo da intenção, vamos vivendo, sofrendo e colocando o nosso olhar espírita na leitura do que vamos colhendo na tecitura contingencial e provacional da experiência reencarnatória que está em jogo na vida atual.
Nós só conseguimos bem realizar aquilo que nos é posssivel fazer em nossa faixa evolutiva. O que ficou mal-feito, fica por conta de nossa inépcia no trato com o bem, ppois, conforme a doutrina (ver comentário após a questão 783 L.E.), em muitos casos, é do mal que capturamos a possibilidade do bem.
Não dá para voltar e fazer de novo: podemos voltar à Terra e, no âmbito reencarnatório, cada vez mais, nos tornarmos conscientes de que há uma evolução espiritual em questão e que precisamos aliar ações próprias aos ditames da Lei de Deus, conscientizando-nos do bem .
Conscientizados, será mais fácil nos sujeitarmos sofrer no conserto dos estragos decorrentes do mau feito do passado. No entanto. infelizmente, não somos assim.Ainda estamos ensaiando consciência plena no mundo, pois somos Espíritos ainda ignorantes e medianamente bons.
Em nossa conversa, não fiz apologia da separação ou da solidão (do tipo 'antes só do que mal acompanhado'), pois sei que há muita coisa em jogo na ação de separação dos cônjuges: as inevitáveis consequências psicológicas em relação aos filhos; meu bem e meus bens etc. A indissolubilidade absoluta do casamento não é uma lei e é um tema doutrinário expressado em O Livro dos Espíritos, mas ninguém, por isso, vai sair se separando, como um incauto. O seu caso foi um nó afetivo de muito sofrimento, em meio a um vácuo deixado pela opção dela em sair do casamento.Compreendo que ela deve ter motivos para esta ação extrema e, por isso, não nos cabe julgá-la. Como conversamos, claro  que há também a sua parcela de responsabilidade, a  sua contribuição direta ou indireta para que ela tomasse livremente a decisão extrema. Não  há culpa de um lado só, porque em termos de relação afetiva, quando esta adoece, todos  os implicados no drama são co-responsáveis.
Por outro lado, há as contingências provacionais do mundo e que estão também em jogo em nossa existência na Terra. Nem sempre conseguimos ou podemos perceber uma questão dialética que ocorre no exercício de retorno do espírito imortal que assume o matrimônio.
Há os carentes de re-vivência da liberdade na materialidade que, ao mesmo tempo, são necessitados de experiências de apego, cujo sofrimento traz à tona coisas ruins amortecidas desde o passado próximo.
Não precisava ser assim, mas é assim que agimos no cotidiano, dada a nossa estatura espiritual.
Junto aos nossos afetos e desafetos, tentamos nos desidentificar das amarras excessivas que nos aprisionam em peias insuportáveis decorrentes da experiência ruim ao invés de resolvê-la, e, ao mesmo tempo, precisamos saber se aguentamos bancar esta empreitada, em meio aos escombros da relação afetiuva. E.W. você estava agarrado ao que você julgava ser "meu". Então convidei-o a sair dessa função egóica para, aos poucos, ultrapassá-la em ressonância com o a paz de espírito, sempre no âmbito do desapego.
Joanna de Angelis, em sua série psicológica, traz à luz um como doutrinário-espírita deste teor, desvelando-nos  a possibilidade de exercermos a idéia junguiana da busca do "self", tendo-se como condição de possibilidade abrirmos mão progressivamente das questões egóicas. Mas, não se iluda: não é fácil fazer isto!
Carlos Torres Pastorino, Espírito, quando estava encarnado foi o meu primeiro orientador mediúnico na seara espírita, e ele escreveu tudo isso no belíssimo e instrutivo  livro psicografado por Divaldo Franco: "Impermanência e Imortalidade", editado pela FEB. Ler, estudar e compreender é fácil, mas fazer... é possível e exige tempo e paciência, convicção e fé raciocinada.
 O Espírito torna-se livre e, ao mesmo tempo, responsabiliza-se por tudo aquilo que cativou nas existências terrestres. Ele vai aprimorando o modo de ser, consigo e com o outro: ao modo desapegado; desidentificado com as propriedades, não mais se constituindo no mundo como "dono" das pessoas. Enfim, ele ultrapassa o "eu" exclusivo, de modo progresso e vivencial. Isto não é possível ser realizado sozinho: precisamos uns dos outros, pois é trabalho de milênio que exige do Espírito  abrir-se no sentido da alteridade.Como odo quilômetro precisa de milímetro comecemos nós pelo fastio do mal...
É um ato de caridade para com a mãe dos suas filhas, saber compreender tudo e dizer: eu sinto muito! Por isso, compreendemos a máxima espírita "fora da caridade não há salvação". Será preciso sair de si, olhar este outro "eu" que coloca sobre mim seu olhar diferenciado e que também tem um olhar sobre si mesmo e que me afeta e é, ao mesmo tempo, afetado por mim. Quando auxiliamos o outro estamos nos auxiliando também...
Por isso, o Movimento Espírita mobiliza-se na Caridade: há sempre que se auxiliar o outro, aquela outra pessoa que se constitui no próximo, cujo símbolo Jesus nos trouxe, de modo claro, na Parábola do Samaritano. Mas, por mais que façamos esforços no sentido de ajudar o outro, é ele-mesmo que se liberta no seu próprio tempo! Isto é de carater individual e é insubstituível. Mas, ninguém vai adiante sozinho! Cada um vai, por si-mesmo, no uso do  livre-arbítrio, nunca sozinho ( ver questão 459 LE).
 É o desenvolvimento da inteligência-vívida que nos faculta ampliar o uso do livre-arbítrio consciente. Quanto mais evoluído é o espírito que opta pelo que é de sua responsabilidade, mais pode bancar as consequências. Livre para escolher; obrigado a colher! A Lei de Deus está impressa na consciência e ela é implacável neste registro indelével no perispírito. Cada um responde por si, pois a evolução espiritual é individual. Só que ninguém consegue evoluir sozinho: precisamos uns dos outros. E a  Misericórdia Divina nos abriga... a Lei de Deus nos conduz à confiança....
O sentimento de alteridade é uma conquista que cabe ao Espírito egóico  desenvolver. Quando estamos obliterados por más paixões isto se torna quase impossível: não escutamos os clamores da consciência, dos Amigos Espirituais que nos tentam ajudar. Isto ocorre porque o pior cego é o que não sabe escutar os clamores de sua própria consciência. Os Espíritos protetores ajudam-nos todos os dias, eles fazem isto conosco por amor e quando, infelizmente, não queremos ouvi-los na nossa identificação com as más paixões, eles se afastam e nos deixam ir na direção de nossas ilusões.
Depois, sofridos e bem desiludidos, dispostos a ouvir melhor os clamores de nossa prórpia consciência, eles voltam e nos dizem: alegre-se meu amigo, minha amiga,  porque acabaram-se as ilusões!
Companheiro E.W., depois que conversamos sobre tudo isto, você me perguntou: por que somos assim? Alegramo-nos nas ilusões e ficamos tristes nas desilusões! O apego às coisas materiais, às pessoas, às idéias... são identificações que grudamos conosco, usando uma cola identitária poderosa. Acreditamos que somos o que temos.  A contemporaneidade tecnológica está aí vendendo "identificações" aos aparelhos eletrônicos que, atualmente, parecem ser partes de nosso 'perispírito', grudados aos nossos olhos e ouvidos. Temos hoje novos "bichinhos" de estimação, que são verdadeiros instrumentos de fuga da realidade. "Eu sou nada sem meu Iped"... Isto significa: "eu me identifico mais comigo mesmo junto disso que é meu, sem isso sou nada"....
Então, alguém pode dizer: "sem o meu iped, sem meu smartphone, iphone" etc, sou ninguém no mundo. Esta identificação à alienação e ao controle, significa ter que enterrar o corpo com um ear-fone... só que ninguém pode legar consigo os aparelhos, as coisas, o dinheiro, as pessoas, o poder e o controle exercidos na Terra. Aí dizemos: "ah, eu não consigo viver sem ele... sem isto... sem aquilo!"; "eu sou assim!"; "eu sou assado"... quando, no máximo, podemos dizer: "eu estou assim".
O certo é que, na contemporaneidade, não há como não estarmos identificarmos com algo assim e, é preciso entender porquê estamos mergulhados no mundo tecnológico, utilizano-nos de um novo corpo, de uma nova família etc.  É para usar tudo o que está aí ao alcance do progresso tecnológico, mas para o bem do próximo e de si mesmo. O problema está quando achamos que 'somos' aquilo com o qual nos identificamos! Então, dizemos, cheios de orgulho: "eu sou juiz!"; "eu sou general!"; "eu sou pedagogo"; "engenheiro", "psicólogo!" etc
A imortalidade da alma e a impermanência das coisas: eis a questão que a Humanidade precisa encarar, estudar e viver. O homem-espírita precisa estar no mundo, sem ser do mundo, responsabilizando-se pelo que faz e contribuindo,de modo presente, para o progresso de todos. Sabe que, desidentificar-se das coisas e das pessoas, não é para jogar dinheiro fora, não é para abandonar as pessoas. Estamos falando aqui que é para agir no mundo ao modo do cuidado. Cuidar; não  para relaxar naquilo que é impermanente.
Precisamos aprender a cuidar ao modo desidentificado! É para ser no mundo, no cuidado, ao modo desidentificado, desapegado. Gostar das coisas, cuidar das coisas; gostar das pessoas, cuidar das pessoas; gostar de si e cuidar de si.
Por isso a Caridade é a máxima espírita que oferece âmbito de sentido ao homem no mundo. Ficassem os espíritas preocupados com a Casa Espírita tão-só, como ficaria a Causa Espírita que nela deve acontecer? Quem gostaria de frequentar uma Casa Espírita onde os trabalhadores da Casa se desentendem constantemente, brigam a todo momento e, desesperados lutam  por um  lugar egóico de poder  e de supremacia política? Alguém iria se tratar com um dentista que mostrasse desleixo com os próprios dentes? um nutricionista que fosse obeso?  etc
E.W., veja isto: você diz que sua ex-companheira é espírita. Ela está em evolução: como eu e como você! Há famílias espíritas, há casais espíritas, há pessoas espíritas que lidam com a Doutrina dos Espíritos mas de modo proprietário e orgulhoso. Estamos em aprendizado, embora existam pessoas que que exibem o Espiritismo como um troféu. Há, também, quem experimente o Movimento Espírita como se fosse uma 'olimpíada do bem' na busca da melhor performance individual e egóica. Isto se constitui a expressão de nossa infantilidade espiritual a se expressar de modo deseducativo no meio espírita, sob a forma de desequilíbrio.
Paulo disse: "eu antes pensava como menino...". E nós estamos assim! E será necessário que aceitemos isto como real, sem, no entanto, concordarmos jamais com estas bobagens. Há muito médiuns se vangloriando de suas ´produções mediúnicas. Há expositores orgulhosos do próprio saber. Há dirigentes de Casas espíritas que são tiranos domésticos. Eles podem saber muito, conhecer todos os conceitos doutrinários e permanecerem vaidosos, egoístas e presunçosos. Esquecem-se de estudar e viver o Espiritismo. Falam como espíritas e não agem como espíritas. Basta folhear o Livro dos Médiuns (questão 350) e tentar responder à pergunta que kardec faz diretamente à consciência dos espíritas.
 O verbo pode estar cheio de emoção pura e a palavra por mais simples, ser  sincera. Esta pode não estar com a erudição acadêmica, mas se é repleta de  amor, que importa aacademia. Os Espírita poderão trazer contextos de cultura da própria vida ensinando-fazendo (conforme Pestalozzi) que é mais do que as meras ilustrações teóricas dos teóricos do espiritismo. Chico Xavier era um exemplo assim. Simples, sem academia intelectual, sem identificações exacerbadas com as coisas perecíveis. Homem e amor! Ele cuidava do próprio corpo (tomava 20 comprimidos por dia), da própria higiene e era muito organizado, metódico e acima de tudo isto: ele amava! Espírito Superior que passou pela Terra como um Sol que atravessa o pântano, iluminando, sem deixar-se contaminar. Ele ajudou, direta e indiretamente, milhares de espíritos encarnados e desencarnados, fazendo de sua vida o fundamento de suas palavras.
 Aqueles que se contaminaram com o mal - identificados com o mal e com o que não é pertinente ao Espírito imortal - encontraram em Chico Xavier uma ajuda e uma orientação. Ele os aceitava a todos, exatamente como são, embora pudesse não concordar com os modos bizarros de de ser que expressassem. Jamais condenou, julgou... Suas ações e suas palavras ecoaram no mundo como verdade, desveladas por um espírito que soube se desidentificar da materialidade e do poder. Hoje ele nos ajuda a todos do Movimento Espírita, sendo sempre aquele amigo que, do Plano Espiritual, dá continuidade ao seu exercício divino de servir à Causa do espiritismo no mundo. --- E.W., um dia, ele me escreveu dizendo, entre outras palavras: Julinho, meu querido! Que Deus o abençoe! Sei que a sua subida é longa e penosa. Você é aquele menino bom que carreguei no colo e que me pediu um dia "Chico, me dá um queinado?!" Sua mãe, Eunice, me disse que você queria uma bala e eu dei docinho de mamão para você ficar feliz. Hoje você está subindo a montanha e eu estou do outro lado descendo-a jubiloso. Posso dizer para você que o poente é lindo! Persista no trabalho do bem, meu filho!". Eu era um jovem dirigente de mocidade espírita do CE Sera Fraterna, na Rua da Laranjeiras, Rio de Janeiro, RJ. Depois, fui presidente do centro e nos mudamos para a rua Bento Lisboa, Catete, Rio,onde afinal encontrei você e sua ex-companheira., dois brotinhos que surgiam em nosso jardim doutrinário.
 E.W, meu amigo. Deus o abençoe neste esforço imenso que empreende para ser um pouco mais feliz nas suas escolhas. Você pode ver que ora somos como Maria, que optou por ouvir Jesus, ora como Marta que optou por cuidar da casa. Marta ficou aflita, identificada com a ocupação de 'dona de casa'. Maria estava entregue à Jesus-presente, bebendo de sua fonte. Temos estado assim na atual existência, E.W.: meio Marta; meio Maria. No entanto, o exemplo maior não estava exatamente nestas duas: O irmão de ambas, era Lázaro, aquele que experimentou, ao vivo, o toque da re-vida, proporcionada pelo chamamento de Jesus: "Lázaro! Vem !!!". E ele veio... saiu do 'sepulcro', saiu da morte dos ideais. Marta, como sempre, desesperou-se com a morte do irmão e, depois, encheu-se de alegria como todo o povo. Os fariseus - identificados com o poder religiosos - ficaram preocupados: Jesus foi alçado no coração do povo como sendo aquele que  'retira os mortos do sepulcro'.
 A doutrina espírita faz o mesmo nos dias de hoje: a mesa mediúnica conclama os 'mortos' a saírem do 'sepulcro ' de suas identificações materiais. Mas, os 'Lázaros redivivos' deveremos ser todos nós, os espíritas! Precisamos, portanto, ser vistos pelo povo, não pela imagem de poder, mas pelo exemplo de abnegação às identificações materiais. E.W., como você sabe, nem eu e nem você somos Marta e muito menos Maria, porém podemos ser Lázaros. Que tal?  Jesus já operou em nós as oportunidades fecundas de sairmos das identificações materiais ( desenfaixarmos de nós as prisões do sepulcro existencial). Eu e você atestar que somos  "Lázaros" redivivos,  que experimentamos em nós as b~ençaos das mãos do Cristo por sobre nossas chagas?. Já re-nascemos nesta vida?
Então, E.W. cáestamos nós: voltamos à vida, estamos  investidos de novo corpo. Lidamos com o poder e, aos poucos, vamos atendendo aos chamamento do Cristo:... vem!  Ele nos chama não para realizar uma missão, mas para ressarcirmos nossos débitos em vida na Terra. No dialeto do Evangelho de Jesus conclamando-nos a sermos menos orgulhosos... menos identificados... sermos os últimos... pois os últimos serão os primeiros...
Ele disse: "Não vos preocupeis com que haveis de comer,,, com o que haveis de vestir...".
Nos dias de hoje: ocupar-se sim; pre-ocupar-se não!
E.W.  Deus o abençoe,
E.W, nesta 'sua' nova morada e nesta sua nova existência reencarnatória, que a alegria de servir no bem possa envolvê-lo e iluminá-lo.
 Muita paz e serenidade.
 Temperança!
 do amigo de sempre
Julio Cesar de Sá Roriz

sábado, 20 de outubro de 2012

10 ITENS DE COERÊNCIA DE CONDUTA DOUTRINÁRIA DO TRABALHADOR ESPÍRITA

1. Todo trabalhador ou tarefeiro do bem da Instituição Espírita é espírita, ou seja:
a) tem os seus pensamentos, conceitos, emoções e atos centrados nos pontos básicos do Espiritismo;
b) sempre referencia seus trabalhos doutrinários, conforme a codificação kardequiana;
c) aceita, estuda e pratica sempre o Espiritismo.
2. O Tarefeiro da Casa, sendo espírita, não se autonomeia “kardecista”, nem diz estar trabalhando no “kardecismo”: O Centro Espírita é uma instituição espírita, não havendo necessidade de especificar nada além, pois, Allan Kardec criou o termo espírita para designar, exclusivamente, uma inconfundível referência à Doutrina Espírita, conforme as obras básicas por ele codificadas.
3. Doutrina Espírita é o mesmo que Espiritismo: são designações de uma mesma doutrina. Não há que se falar em “espiritismo de mesa”, “espiritismo de linha kardecista,” “de linha branca”, “baixo ou alto espiritismo”. Só há um Espiritismo: aquele que está estabelecido nas Obras Básicas do Espiritismo, as obras fundamentais que norteiam os trabalhos doutrinários da Casa Espírita.
4. As Casas Espíritas são associações sem fins lucrativos que possuem estatutos registrados em cartórios, existindo no mundo como uma organização legalmente constituída, junto à sociedade civil do Brasil, conforme suas leis vigentes. Assim sendo, não há remuneração de qualquer espécie para os seus responsáveis legais (Coordenadores Gerais), coordenadores e trabalhadores indicados para as diversas tarefas doutrinárias da Casa. Todos os serviços doutrinários da Casa são absolutamente gratuitos para a população encarnada que os usufrui. Nos treinamentos específicos, os coordenadores responsáveis estão autorizados a promover o justo ressarcimento das despesas com os mesmos, compartilhando essas despesas entre os participantes, que sempre têm o conhecimento prévio deste ônus específico, quando se inscrevem nos treinamentos.
5. O Movimento Espírita Brasileiro é vinculado ao Conselho Espírita Internacional (CEI). Os Estados da Federação possuem Órgãos Estaduais de Unificação que, reunidos regularmente junto a FEB (Federação Espírita Brasileira), conjugam esforços comuns, no sentido de serem mantidas, sinergeticamente, as prerrogativas doutrinárias fundamentais do Espiritismo, entre todas as suas afiliadas, respeitado o grau de liberdade das Casas Espíritas afiliadas, não existindo, portanto, nenhuma espécie de controle ou ingerência.
6. A Instituição Espírita está situada no Movimento de Unificação. O representante da Casa contribui com sua presença nas reuniões programadas, como também nos traz as notícias referentes ao Movimento de Unificação. Repetindo: há muito respeito e consideração entre as instituições co-irmãs, e não há qualquer tipo de hierarquia dominante ou coercitiva entre as afiliadas ou adesas e os respectivos Órgãos de Unificação.
7. Nenhum participante das coordenações do Centro Espírita pode ou deve apresentar-se ao Movimento Espírita, em nome da Casa, sem a devida autorização da sua Direção Geral. Incluem-se aí todas e quaisquer divulgações de seus eventos e/ou campanhas externas, inclusive cartazes, cartas com papel timbrado, acordos, convites etc. A Instituição Espírita respeita o espaço privado das outras Casas Espíritas, como quer ter seu espaço resguardado de toda e qualquer entrada de documentos, panfletos e avisos que, regularmente, precisarão ser autorizados pela Coordenação Geral, antes de serem distribuídos ou afixados em seus murais.
8. As atividades artísticas vinculadas à Instituição são sempre atividades-meio, visando à divulgação doutrinária, seja através do teatro, som, vídeo, música, cinema ou jornal. Seus colaboradores não recebem qualquer tipo de remuneração pelo serviço a que se entregam voluntariamente. Toda e qualquer movimentação financeira que implique em cobrança de dinheiro referente às entradas ou doações será revertida para manutenção da Casa. Idem, em relação aos ônus ou dívidas decorrentes dos trabalhos artísticos, transportes, alimentos etc. Nenhum contrato formal pode ser firmado, em nome da Instituição espírita, sem as assinaturas dos Dirigentes Gerais legalmente constituídas pelo Estatuto. Idem, também em referência a empréstimos, recebimento de doações de qualquer espécie etc.
9. Os livros expostos à venda interna e os utilizados nos estudos doutrinários da Casa são obras reconhecidamente espíritas, não se permitindo, em hipótese alguma, divulgação, exposição ou venda de livros, revistas, folhetos, jornais que não estejam rigorosamente dentro dos conformes doutrinários da Instituição.
10. Cada Tarefeiro do Bem da Instituição é um exemplo vivo da Casa; é também um divulgador da Causa espírita.
Rio de janeiro, março 2010
Julio Cesar de Sá Roriz jcesaroriz@gmail.com

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Somos estrangeiros.


Chegamos num país de língua e costumes estranhos ao nosso para passar um bom tempo. Demoramo-nos e nos acostumamos tanto na Terra que sentimo-nos 'em casa'. Mas chega um momento em que é imperioso voltar: sair do planeta, voltar ao Plano Espiritual para re-encontrar suas origens espirituais, re-encontrar a parentela espiritual, parentes desencarnados que, anteriormente, tiveram também que retornar compulsoriamente ao país de origem. O que podemos levar conosco nesta viagem? Não podermos levar tudo: temos que deixar no 'país estrangeiro da terra' as pessoas com as quais nos afeiçoamos, as edificações e objetos que adquirimos enquanto na Terra estivemos. É a hora da despedida! Uma despedida de uma 'terra estrangeira'com limitação de bagagem, o que nos obriga a selecionar previamente o que nos convém levar ao Plano Espiritual.
Esta é a metáfora que tenta introduzir o leitor no que há de mais delicado em nossa existência na terra: a insubstituível experiência de passagem pela morte biológica. Chegando ao Plano espiritual como sobreviventes da morte do corpo, através do portal da imortalidade, defrontar-nos-émos com surpresas, modos absolutamente diferente do que existe na Terra. Visto assim, cabem as questões: o que não nos serve por lá? Qual a mudança significativa que um Espírito recém-desencarnado sofre ao se defrontar com a sua imortalidade e com a impermanência da matéria (inclusive a do seu corpo biológico)?
Sabemos que o Espírito desencarnado, via de regra, vai para o Plano Espiritual experimentar o necessário estágio probatório para o retorno à próxima reencarnação na Terra. Sabemos também que o Espírito, ao desencarnar, sempre leva alguma 'coisa' consigo. Dizemos 'coisa' porque não temos terminologia apropriada para definir a matéria quintessenciada. Não há registro na vasta bibliografia espírita de um "Espírito em essência",ou seja, sem o seu perispírito, que tenha desencarnado sem qualquer vestígio ou impregnação de âmbito material. O perispírito é esta 'coisa' semi-material, uma espécie de matéria em dimensão vibratória que não é perceptível aos nossos sentidos e não a apreendemos a não ser que sejamos médiuns ostensivos. Então,a pergunta cabe: o que levamos conosco quando desembarcamos no Espaço Espiritual, depois da desencarnação? Primeiramente - antes de respondermos esta questão - vamos colocar as coisas em ordem: desencarnação é um fenômeno natural e fatal que ninguém na Terra pode deixar de experimentar. Quando há a liberação definitiva do Espírito, ele deixa o corpo biológico porque este já não tem mais condições de funcionar e, assim, o Espirito (e o seu perispírito) retira-se da comunidade terrena, carregando na mente e, consequentemente no perispírito, o que lhe deu condições de ter uma identidade, uma forma e sua pertinência tangível no meio social da Terra.
Alguns Espíritos recém-desencarnados estão tão identificados com a existência terrena, com o corpo biológico que lhes serviu e com as paixões humanas experimentadas que, após a desencarnação, permanecem um tempo na face da Terra, em meio aos encarnados como se fossem um deles. Quantos casos de pessoas que relatam uma sensação esquisita que sentiram ao ir morar num apartamento ou casa: eles sentem que há Espíritos desencarnados morando lá. Quantos móveis e objetos de antiquários estão impregnados de vibrações deletérias fixadas nos objetos pelos seus antigos proprietários e quantas relíquias de colecionadores estão sendo 'vigiadas' por Entidades desencarnadas que ainda se consideram donas dos objetos? Em meu livro "Oh, James! Na Poeira do Tempo" descrevi esta situação, pois a citada influenciação espiritual é mais comum do que se possa imaginar, principalmente nos antiquários.
Por outro lado, para os Espíritos que desembarcam no Plano espiritual, existe por lá uma espécie de controle que Eça de Queiroz denominou de 'aduana celeste', que é muito rigorosa e que fiscaliza todas as bagagens do 'viajante' que são compulsoriamente expulso da Terra através da morte biológica. Ele vem do 'estrangeiro' ( ver Eça de Queiroz, Póstumo psicografia de Fernando de Lacerda, FEB), de volta ao seu país de origem - que é o Plano Espiritual. O Espírito recém-liberto do corpo biológico só leva consigo aquilo que pode ser levado (o que não pode, fica na Terra, como por exemplo: o título, o poder, o dinheiro, o status e a identidade social). Então, diante disso, surge outra pergunta que acaba por modificar a primeira: o que deve ser levado ao Plano Espiritual? Para chegarmos a uma conclusão plausível quanto ao que devemos levar para o Plano Espiritual, precisaremos refletir, primeiramente, porque precisamos nos deslocar de nosso país de origem e viajarmos para a Terra, na condição de 'estrangeiros'. Será só para existencializarmos uma vida social? Por que o Espírito imortal precisa utilizar-se de um corpo de carne (ver questão 132 de O Livro dos Espíritos de Allan Kardec) e viver entre outros 'estrangeiros' da Terra que, como ele, terão que retornar, um dia, através da morte biológica do corpo, rumo ao país de origem?
Sem querer ser tautológico, questiono de novo: se estamos aqui na Terra envolvidos com tantos 'estrangeiros', como nós mesmos somos, teremos que inicialmente nos referenciar, em nossos argumentos, utilizando-nos de coisas da Terra.
Respondam olhando as coisas de nossa sociedade: alguém viaja ao estrangeiro para passar um tempo e leva consigo toda a sua mobília? Leva os animais de estimação,toda a casa e os seus vizinhos, as roupas, o carro de passeio e a mesa de trabalho profissional? Claro que, tendo de estar lá no estrangeiro por um tempo que não sabe quanto, muita coisa teve que ficar na terra de origem, inclusive os registros legais de sua identidade civil, os registros de propriedade, as certidões etc. Deixa os parentes, as mil e uma coisas mal resolvidas, os amigos e também os inimigos. Cada um que se retira para o estrangeiro deixa na terra de origem tudo o que teve que ficar. Em plena viagem, pode sentir saudade: então, escreve, telefona, manda-se um email...
Se isto vale para quem vem reencarnar na Terra, como um estrangeiro, o Espírito que está recém-desencarnado também passa por critérios de escolha de mudança. Chegando ao Plano Espiritual, pode se comunicar, às vezes, pelo pensamento ou pela intuição dos encarnados, ou através de um médium que funciona como 'Correio do Além'. E, assim, o desencarnante vai desembaraçado de tudo aquilo que for possível de obstar a sua evolução no Plano Espiritual.
Na Terra, quando um 'estrangeiro' vai para um pais mais bem desenvolvido, geralmente busca lá a oportunidade de um melhor aprimoramento: um doutorado, uma experiência profissional mais vantajosa etc. Para isso, ele precisará se concentrar, deixando em seu país de origem tudo muito bem arrumado para que nada possa perturbar o seu foco no 'novo país'. Se muitas coisas desagradáveis forem chegando (notícias alarmantes e rogativas pesadas)aos ouvidos do viajante que está no estrangeiro, uma perturbação pode nele se instalar, atrapalhando sua experiência nova no estrangeiro.
Há Encarnados (espíritos 'estrangeiros' que investidos no corpo de carne vivem provisoriamente na Terra para evoluir) que ficam psiquicamente atormentados com os rumores obsessivos dos Espíritos desencarnados sofredores que, embora estejam desencarnados, continuam fixados nas coisas da Terra. Outros Espíritos sofredores desencarnados há que permanecem um tempo no além profundamente vinculados às ilusões de materialidade da Terra: suas 'bagagens psíquicas estão avariadas', recheadas de remorsos, iras, desejos de vingança etc. E porque sofrem pelas vinculações excessivas com os bens materiais deixados na Terra, permanecem profundamente identificados com as pessoas que deixaram na Terra. Estes não souberam optar, com equilíbrio, quanto ao que deve ser levado consigo após a desencarnação do corpo biológico. Em vida, não se exercitaram no gradual e necessário desvinculamento psíquico do papel social, político e familiar que exerceram na Terra.Então, aproveitando-se da invisibilidade, intentam continuar a manter o mesmo poder de controle das coisas e das pessoas, como exerciam na Terra: assim acabam 'manipulando' psiquicamente as ilusões dos incautos encarnados, como faziam quando estavam na Terra (ver as Obsessões e meios de combatê-las, no capítulo 23 de O Livro dos Médiuns de Allsan Kardec).
O certo é que, todos nós, embarcamos no Além, pela morte, com tudo o que nos é de fundo psíquico; desembarcamos na Terra, pelo nascimento, sem qualquer resquício de materialidade (a não ser o perispírito). Claro está que isto já nos diz que deveremos ter mais cuidado com o que adquirimos para nós e para outrem na experiência social e familiar na Terra. Importante cogitar quanto ao modo como lidamos com a materialidade, com o poder de controle das coisas e das pessoas, cujos mecanismos, uma vez adquiridos e cronificados como sendo nossos, amanhã, na desencarnação, ser-nos-ão muito mais difíceis de serem erradicados.
Se todos nós - sem distinção - vamos ter que nos despedir do pais que chamamos de Terra ( e deixarmos tudo: o corpo, as coisas e as pessoas, além dos poderes de controle que nos foram outorgados), e teremos que retomar nossa condição de cidadãos espirituais, precisamos desde já, na Terra, nos habilitarmos na arte de vivermos no mundo sem sermos do mundo.
Não estamos dizendo com isto que é para se desprezar os amigos, jogar dinheiro fora e não cuidar do corpo. Tudo isto, incluindo o poder provisório oferecido pelo mundo, tornam-se necessários ao nosso aprimoramento espiritual. O que estamos dizendo é que precisamos experienciar a relação com as coisas e com as pessoas, com o poder de controle e com a autoridade, mas que seja ao modo desidentificado. Vejamos o exemplo do general que desencarnou: nenhum general da Terra é general no Plano Espiritual. Estes galardões e mais outros distinguidos nas honrarias terrenas são outorgas meramente humanas. Os militares, os juízes, os poderosos e todos aqueles que estão, de alguma maneira, identificados com aquilo que dizem que ele 'é', devem começar a relativizar estes emblemas e esteriótipos, enquanto aqui as estiverem utilizando. O artista famoso, o consagrado jogador de futebol, não são assim considerados no Plano espiritual. Enquanto estiverem encarnados devem exercer uma separação entre o que é e o que não é seu, de fato. Não deve dizer para si mesmo, olhando-se no espelho: eu 'sou' isto ou aquilo! Porque só somos aquilo que não pode ser tirado de nós. A morte do corpo biológica costuma pregar surpresas aos Espíritos desencarnados, iludidos que 'são' realmente aquilo que parece que são. Só para lembrar: A Espírito Andre Luiz ( Livro: Nosso Lar, FEB) achpu que por ter sido médico na Terra poderia exercer sua medicina no Plano Espiritual.
Na experiência dialética da reencarnação, busca-se na existência terrestre a convivência com uma grande maioria de espíritos encarnados que são basicamente, ignorantes da vida após a morte, egoístas e orgulhosos, para que o próprio egoismo e o orgulho possam ser ultrapassados. Assim, na convivência educativa do lar, da escola e da religião, vão surgindo as oportunidades de nascerem a humildade e o altruísmo desinteressados. Só mesmo na lida com a materialidade, num 'pais' de provas e expiações, na condição de estrangeiro é que os espíritos endurecidos podem experimentar a forja e o cadinho das provas que os podem libertar da ganga, pois a extração da 'pedra preciosa' só se faz no fogo da experiência social na Terra. Surge, assim o homem de bem.E são os exemplos do homem de bem (questão 918 de O Livro dos Espíritos de Allan Kardec) que podem balizar na Terra, o traçado que a Espiritualidade Maior indica nas Obras Básicas do Espiritismo, guia infalível da Regeneração.
Assim, uma boa desencarnação se dá, sem embargos na 'aduana celeste'. O Espírito 'estrangeiro' que viveu na Terra ao modo desapegado e que soube agregar valores positivos em sua bagagem espiritual, leva consigo uma bagagem legítima. São pessoas que possuem um caráter ético e que se tornam bússolas-vivas, indicando-nos, na Terra, qual o o "norte magnético" da Evolução. Ser homem de bem e seguir boas orientações espirituais de pessoas inteligentes e espiritualizadas já eliminam grande parte dos embaraços de 'alfândega' quando se vai retornar ao país de origem, deixando, portanto, de ser um 'estrangeiro' no mundo.
Isto tudo quer dizer que, cada um de nós, - espíritos encarnados que somos - precisamos nos preparar, condignamente, para enfrentarmos esta viagem desencarnatória. Buscarmos, desde já, re-conhecer pelo estudo doutrinário do espiritismo, como é o país de origem. No fundo, estaremos re-lembrando de incontáveis experiências sempre que estivermos lendo e estudandoas obras mediúnicas dos bons médiuns como José Raul Teixeira, Divaldo Franco ou Chico Xavier. Em suma: devemos manter-nos bem atento o exercício sereno e progressivo do desembaraço das coisas materiais. Verificarmos com critério: há questões legais pendentes que podem afetar a harmonia dos herdeiros (os 'estrangeiros' que ficarão ainda por mais um tempo na Terra? Precisamos procurar reconciliar com algum adversário, enquanto estamos encarnado? Além disso, exercitar-se, sinceramente, no bem ao próximo, procurando, ao mesmo tempo, agregar conhecimentos úteis e sentimentos nobres, tais como a caridade como a entendia Jesus (Questão 886 de O Livro dos Espíritos de Allan Kardec). Entre todas estas questões relevantes, destaco a que é título deste artigo: apropriar-mo-nos da realidade viva de que nós somos, de fato, Espíritos estrangeiros na Terra, porque somos Espíritos Imortais, reencarnados num corpo biológico, experimentando a vida em uma sociedade que ainda se comporta, em sua grande maioria, como se fosse formada de seres meramente bioquímicos, agregando muito valor ao status e ao dinheiro, ao poder e ao controle de tudo.
Isto fica muito patente quando nós assinamos um contrato legal de compra de um apartamento. Não somos, de fato, 'proprietários' do mesmo. Ledo engano achar que somos mesmo proprietários daquele objeto, do imóvel etc! Na verdade, os espíritos reencarnados na Terra nada mais são do que usufrutuários das coisas materiais que experimentam como sendo seus. O que vimos aqui é que: um dia, fatalmente, os 'estrangeiros da Terra vão ser obrigados a 'viajar' e deixarão tudo por aqui mesmo: tudo isto que afinal não é seu, de fato!.